
Por Dr. Jony – Ginecologista e Obstetra
Muitas pacientes me perguntam sobre o exame Doppler na gestação: afinal, o que é, quando ele deve ser feito e por que é tão importante?
Hoje quero conversar com você, de forma simples e direta, sobre esse exame que se tornou uma ferramenta essencial no acompanhamento do bem-estar do bebê durante a gravidez.
O que é o Doppler obstétrico?
O Doppler é uma tecnologia baseada no estudo das ondas sonoras, que nos permite avaliar o fluxo de sangue nos vasos sanguíneos da mãe e do bebê. Ele é como um “GPS” que nos mostra como está a circulação entre a mãe, a placenta e o feto.
Graças ao físico Christian Doppler, conseguimos hoje aplicar essa descoberta na obstetrícia para entender se o bebê está recebendo oxigênio e nutrientes adequadamente — e se a placenta está cumprindo bem sua função.
Qual a função do Doppler na gestação?
Durante a gravidez, o bebê depende totalmente da placenta para se desenvolver. É ela quem fornece oxigênio, hormônios e todos os nutrientes necessários. E é justamente isso que o Doppler nos ajuda a avaliar: se essa “ponte” entre mãe e bebê está funcionando corretamente.
O Doppler analisa o fluxo sanguíneo de vasos como:
- As artérias uterinas (que mostram como o sangue da mãe chega à placenta),
- A artéria umbilical (que mostra o sangue indo da placenta para o bebê),
- E a artéria cerebral média (que indica se o cérebro do bebê está recebendo oxigênio suficiente).
Cada uma dessas análises nos dá pistas fundamentais sobre a saúde fetal — e nos ajuda a tomar decisões com mais segurança.
Em quais situações o exame é indispensável?
Existem várias situações em que o Doppler é indicado, como:
- Gravidez de risco,
- Hipertensão materna ou pré-eclâmpsia,
- Diabetes,
- Problemas na placenta,
- Suspeita de crescimento abaixo do esperado,
- Gestação gemelar,
- E outras condições que possam comprometer o bem-estar do bebê.
Por que ele é tão importante?
O Doppler nos permite detectar precocemente sinais de sofrimento fetal, insuficiência placentária e até riscos de complicações graves, como hipóxia (falta de oxigênio) e anemia fetal. Com essas informações em mãos, conseguimos agir a tempo — muitas vezes, até prevenir um desfecho mais sério, como o óbito intrauterino.
É um exame que salva vidas. Literalmente.
Quando devo fazer?
A depender de cada caso, o Doppler pode ser solicitado em diferentes momentos da gestação. Em casos de rastreio de pré-eclâmpsia, por exemplo, ele é indicado entre 11 e 13 semanas. Já em outras situações, pode ser feito no segundo ou terceiro trimestre para monitoramento contínuo da vitalidade fetal.
O importante é que seja feito por um profissional experiente, com técnica adequada — isso garante a confiabilidade do resultado e evita interpretações erradas.
Conclusão
O Doppler obstétrico é mais do que um exame: ele é um aliado no cuidado com a vida. Um olhar atento para dentro do útero, que nos ajuda a proteger, acompanhar e agir com responsabilidade em cada fase da gravidez.
Se você tem dúvidas ou precisa desse exame, converse com seu obstetra. Aqui no consultório, estou sempre à disposição para orientar, acolher e cuidar com segurança de cada etapa da sua gestação.
Mais informações sobre o Doppler Obstetrico: